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A Vida É Uma Festa Resiste

Há 24 anos, por conta de um bendito descuido do universo, nascia o movimento da Vida é uma Festa. Um manifesto cultural que toca até hoje, toda quinta no centro histórico de São Luís. E ele surgiu na contramão de tudo: na contra mão de uma estética visual e musical que glorifica a mesmice e pune a criatividade, nasceu discordando do estado das coisas que insiste em ditar como a gente deve sentir a cidade. Foi uma eclosão rara disfarçada de improviso, dando à luz um som que ninguém esperava, mas precisava.

 

A Vida é uma Festa abraçou a leveza da performance sem promessas. E foi justamente por não prometer nada que ela não sentiu o peso da tal viabilidade. Transformou cotidiano, amor, criatividade e até uma certa dose de loucura em uma técnica de sobrevivência artística.

 

Naquela época, o cenário da cultura oficial já era um monumento à inoperância. E vamos registrar: a gente não sabia, mas o que estava ruim ainda ia piorar, e muito. Para o artista local, o cardápio oficial só oferecia três pratos: o ostracismo, a crença cega numa esperança que nunca chega ou a desordem.

 

A Vida é uma Festa escolheu a terceira via. Desordem.

 

Não uma desordem qualquer, a desordem barulhenta para que não sobrasse pra cidade apenas o absurdo. A desordem de contrapor, com propósito, do trabalho infinito e sem retribuição financeira. Quase um Sísifo maranhense, assumindo sua pedra e sua montanha como um destino feliz.

 

E por falar em felicidade... quanta gente tentou interrompê-la, não é? O movimento enfrentou de tudo: mãos pesadas da polícia, desocupação iminente e ruas obstruídas por cercas e tapumes, o design favorito de quem quer empurrar a cultura para um beco sem saída.

 

Só esqueceram de um detalhe: é fácil guerrear por terra ou domínio, mas calar a voz do tambor por decreto? É ruim, hein!

 

A gente não espera que um Estado que abandona os próprios arquivos no lixo entenda isso. Um Estado que deixa prédios históricos virarem cascas vazias e permite que a nossa diversidade raiz vire mato, sobrevivendo por teimosia entre as frestas do asfalto burocrático. Um estado que só serve para organizar megaeventos sem identidade alguma que enriquecem, ainda mais os artistas do agronegócio com contratos que a sociedade deveria olhar com lupa.

 

A Vida é uma Festa merece parabéns pelos seus 24 anos. Não só porque resistiu na contramão oficial, resistiu inclusive a perseguição da polícia. Não só porque ignorou os críticos técnicos, assustados com a audácia de quem cria mesmo quando o cenário se esconde atrás de tapumes cinzas e ruas vazias.


O parabéns a esse manifesto de todas as quintas é pela maior das ousadias: a de continuar sendo feliz, apesar de tudo.

E a festa continua sendo a vida.

 

Veja vídeo reproduzido no Jornal Rádio Universidade no link


Beto Ehong para o Jornal Rádio Universidade

@betoehong

@foranewsbr

 
 
 

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