O REGGAE E O BAIRRO DA LIBERDADE
- mundioca
- 1 de mai.
- 2 min de leitura

Hoje vamos falar d reggae, é, essa força natural que toma conta de São Luís a tanto tempo, dizem que é o primeiro estilo musical que a gente escuta quando entra na ilha e o último quando a gente sai, pelo menos tem sido assim, é um fenômeno. E quando a gente fala de reggae sabemos q cabem aí muitos aspectos, inclusive, recentemente o pesquisador Roberto Pereira publicou um trabalho sobre o comportamento das novas gerações em relação ao ritmo, os dados merecem atenção e ligam uma alerta, veja opinião sobre o assunto aqui mesmo no nosso blog, e em breve a gente vai destrinchar esse aspecto aqui também, mas hoje o assunto é o reggae sob o ponto de vista do bairro da Liberdade.
Pra quem não sabe, Eu moro na Liberdade, o maior quilombo urbano da América Latina.
Uma região banhado pelo Rio Anil no seu encontro com a baía de São Marcos e cercado por muita resistência e, infelizmente preconceito, e claro, o perigo existe, mas o medo é inflado pelo preconceito. Tem gente que acha que entrar na Liberdade é tipo uma missão do BOPE, mas, o maior risco de entrar lá hoje é sair gostando. A violência existe, assim como existe em toda a cidade, mas lá o preconceito chega antes.
Mas enfim, o que quero dizer mesmo é que lá na Liberdade o reggae toca diferente, até porque ele mora lá.
Ao que parece cada casa tem uma radiola.
Na Liberdade o Reggae é relógio biológico, se você não gosta de reggae a Liberdade te convence.
Lá reggae não é exceção, é logística cotidiana, qualquer dia pode ser dia de festa, num bairro onde aniversário vira evento público o som começa numa casa e termina no quarteirão, em outros bairros o pessoal avisa no grupo do condomínio quando vai realizar eventos, na Liberdade não, lá liga-se a radiola e deixa Deus organizar.
E o mais curioso é que agora o bairro tá ficando acessível.
Abriram avenidas, o GPS agora entra, o Uber aceita corrida.
Virou roteiro turístico. Isso é lindo. E é estranho.
É estranho Porque o que antes era perigo, agora virou cultura.
O mesmo som alto que era incômodo, agora é experiência imersiva.
Acontece gente que a energia sempre esteve lá só faltava a cidade criar coragem pra aparecer.
Quando pobre vive, é bagunça.Quando turista aparece, é patrimônio.
E deixa eu dizer uma coisa: a Liberdade não é perfeita. Nunca foi.
Mas também não é esse lugar que a cidade aprendeu a temer.
É um bairro vivo, barulhento, contraditório, cheio de problema, cheio de gente, cheio de música.
É o tipo de lugar que não pede licença pra existir.
E talvez seja isso que incomoda.
Porque a Liberdade faz jus ao nome: ela não se explica.
Enquanto a politica toca o terror, a Liberdade toca alto. E segue vivendo.
Gravado para o quadro Indireta Cultural do Jornal Radio Universidade, veja vido aqui
Beto Ehong
Artista, produtor, jornalista.
@betoehong
@foranewsbr



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