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O REGGAE E O BAIRRO DA LIBERDADE

Hoje vamos falar d reggae, é, essa força natural que toma conta de São Luís a tanto tempo, dizem que é o primeiro estilo musical que a gente escuta quando entra na ilha e o último quando a gente sai, pelo menos tem sido assim, é um fenômeno. E quando a gente fala de reggae sabemos q cabem aí muitos aspectos, inclusive, recentemente o pesquisador Roberto Pereira publicou um trabalho sobre o comportamento das novas gerações em relação ao ritmo, os dados merecem atenção e ligam uma alerta, veja opinião sobre o assunto aqui mesmo no nosso blog, e em breve a gente vai destrinchar esse aspecto aqui também, mas hoje o assunto é o reggae sob o ponto de vista do bairro da Liberdade.

 

Pra quem não sabe, Eu moro na Liberdade, o maior quilombo urbano da América Latina.

Uma região banhado pelo Rio Anil no seu encontro com a baía de São Marcos e cercado por muita resistência e, infelizmente preconceito, e claro, o perigo existe, mas o medo é inflado pelo preconceito. Tem gente que acha que entrar na Liberdade é tipo uma missão do BOPE, mas, o maior risco de entrar lá hoje é sair gostando. A violência existe, assim como existe em toda a cidade, mas lá o preconceito chega antes.

 

Mas enfim, o que quero dizer mesmo é que lá na Liberdade o reggae toca diferente, até porque ele mora lá.

Ao que parece cada casa tem uma radiola.

 

Na Liberdade o Reggae é relógio biológico, se você não gosta de reggae a Liberdade te convence.

 

Lá reggae não é exceção, é logística cotidiana, qualquer dia pode ser dia de festa, num bairro onde aniversário vira evento público o som começa numa casa e termina no quarteirão, em outros bairros o pessoal avisa no grupo do condomínio quando vai realizar eventos, na Liberdade não, lá liga-se a radiola e deixa Deus organizar.

 

E o mais curioso é que agora o bairro tá ficando acessível.

Abriram avenidas, o GPS agora entra, o Uber aceita corrida.

Virou roteiro turístico. Isso é lindo. E é estranho.

 

É estranho Porque o que antes era perigo, agora virou cultura.

O mesmo som alto que era incômodo, agora é experiência imersiva.

Acontece gente que a energia sempre esteve lá só faltava a cidade criar coragem pra aparecer.

Quando pobre vive, é bagunça.Quando turista aparece, é patrimônio.

 

E deixa eu dizer uma coisa: a Liberdade não é perfeita. Nunca foi.

Mas também não é esse lugar que a cidade aprendeu a temer.

É um bairro vivo, barulhento, contraditório, cheio de problema, cheio de gente, cheio de música.

É o tipo de lugar que não pede licença pra existir.

E talvez seja isso que incomoda.

Porque a Liberdade faz jus ao nome: ela não se explica.

Enquanto a politica toca o terror, a Liberdade toca alto. E segue vivendo.


Gravado para o quadro Indireta Cultural do Jornal Radio Universidade, veja vido aqui


Beto Ehong

Artista, produtor, jornalista.

@betoehong

@foranewsbr

 
 
 

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