INDIRETA CULTURAL
- mundioca
- 19 de abr.
- 3 min de leitura

Olha eu aqui, gente. Beto Ehong falando direto da Universidade FM para vocês. Minha missão? Comentar o cenário cultural do estado. Sem conversa para boi dormir, com uma dose medonha de ironia, claro, mas transbordando elegância.
Parece fácil falar de cultura no Maranhão, né? Temos um cenário tradicional que é um luxo: do Bumba-meu-boi ao Reggae. Essa é a parte de gala. Mas, como a gente não vive só de verniz, temos que lembrar que a nossa fofura às vezes é rude... temos q lembrar que morreu fofão atropelado pelo um carro forte, cheio de dinheiro que atravessava o estreito dos mosquitos rumo a fazendo de um sertanejo, fazenda essa cheia de bois que não bumbam, mas alimentam o pasto do agronegócio, É.
A gente precisa ver melhor isso.
Mas fiquem calmos. Entramos naquele período mágico onde a cultura, finalmente, é valorizada: não, não to falando das festas juninas, é o período eleitoral. É a redenção! De quatro em quatro anos, ou de dois em dois, se o contar pleito municipal, os políticos brotam dos gabinetes. Surgem de camisa da Maioba, matraca em punho, jurando de pé junto que tem miolo no boi. E como é lúdico ver a boiada passando, né? Título de eleitor na mão e a fome espetada nos olhos. Observem.
Aquele deputado ou deputada que destinou emendas milionárias para o show do Safadão em prefeitura pobre que não tem gaze no hospital... ele vai passar na sua rua. Vai estar suado, sorrindo... aquele riso franco e puro para um filme de terror. É nessa hora que você tem que dizer: eu tô é tu miseráve, marrapá! Té doido!
E olha, a gente nunca foi medalha de ouro em escolher representante, mas ultimamente parece que basta ter o carisma de um esparadrapo, soltar uma frase de efeito tipo Deus, Pátria e Família, provar que é burro de pai e mãe... cara nem precisa mais prometer nada, basta mostrar o quanto ele é tosco se aliar ao melhor cabo eleitoral da atualidade, a fakenews e pronto, tá eleito, tem gente nos hospitais psiquiátricos mais equilibrada do que muitos políticos.
Ah, por falar em mentir... a mentira por aqui é quase um patrimônio imaterial. O Padre Antônio Vieira já avisava. Quantas vezes você já ouviu que o Maranhão vai deixar de ser o estado mais pobre da federação? Essa lenda é mais antiga que a da Serpente Encantada. Dizem que ela, a serpente dorme sob São Luís pronta para acordar e afundar tudo. Mas convenhamos, afundar tudo já é redundância, né? Basta uma chuva, mais um casarão histórico desabou, e os que ficam de pé vão sendo entregues aos novos colonizadores.
Mas enfim, gente... apesar de tudo, e por causa de tudo: viva a cultura do Maranhão!
Viva Mestre Zé Olhinho, viva a resistência de Célia Sampaio! Viva a rima afiada da Batalha na Praça e a poesia de Celso Borges. Viva o centenário bairro da Liberdade e essa juventude que grita que a Vida é uma Festa, de Cajari pra capital!
Na nossa Oração Latina surge sempre uma Áurea Maranhão ou uma Valquíria Almeida, um Festival BR 135 ou um Carcaramundi João do Vale festival... Que a Rua do Sol continue desembocando na Beira-Mar e que a gente tire do caminho da maré o Beco da Bosta.
Porque a nossa cultura, a ancestral e a contemporânea, é a maior força de resistência que nós temos. É beleza, é criatividade, é a espontaneidade que nos move e nos faz seguir, esperançosos, criando espaços como este aqui na Universidade FM.
Até mais. A gente se encontra na próxima Indireta Cultural.
Escrito para o quadro Indireta Cultural do Jornal Rádio Universidade em abril/2026 por Beto Ehong.



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