top of page
Buscar

PRAZER, PROFISSÃO DRAG QUEEN: ONDE A DOR E O BRILHO SE ENCONTRAM

Prazer, Profissão Drag Queen. Este é o título do espetáculo apresentado dia 28 de março de 2026 no Teatro SESC Napoleão Ewerton em São Luís – MA. E espetáculo é, de fato, a palavra precisa para traduzir o que se vive ali.

 

Conduzida pelo ator Ricardo Torres, a peça dá vida à irreverente Molik, uma drag queen que nos convida a mergulhar em um oceano de cores, dores, danças e descobertas. Como se a presença desses corpos, historicamente marginalizados em espaços de prestígio, já não fossem um ato político por si só, a obra vai além, não se trata apenas de equilibrar diversão e emoção; é um manifesto sobre autodescoberta e aceitação, que impressiona pela liberdade criativa transbordante do ator, do diretor Luty Barteix e de toda equipe. Uma baita equipe, diga-se de passagem.

 

Ricardo inicia sua jornada vindo da plateia, rompendo a quarta parede e reafirmando a importância daquela casa lotada. No palco, ele divide espaço com as variações de si mesmo, desenrola sua narrativa enquanto se monta: perucas, espartilhos e camadas de identidade ganham forma com a ajuda de voluntários do público. O palco torna-se um laboratório vivo de experimentação. Ali, o teatro se expande para iluminar histórias que, embora particulares, compõem o mosaico do cotidiano LGBTQIAPN+, uma comunidade que sobrevive no país que, tragicamente, mais mata no mundo.


 

O texto não se esquiva das feridas. A homofobia e as múltiplas violências são expostas ao lado das memórias de uma infância marcada pelo estigma do afeminado demais, sempre sob a lógica do que precisava ser corrigido ou escondido. Cada ato ressignifica essa vida: a primeira festa, o encontro com os seus e a comunidade e, finalmente, o abraço à própria essência.

 

É uma superprodução divertidíssima, capaz de arrancar lágrimas entre tantas outras gargalhadas. A narrativa flutua, nos observando como seres em constante processo de mudança, transformação e movimento, criando espaços de coafetação que nos constituem, ao fim, como sujeitos profundamente emocionados.

 

Prazer, Profissão Drag Queen me atingiu em cheio pela potência do drama, pelo timing da comédia. É uma obra de contexto universal que abriga múltiplas linguagens: da carta dilacerante de uma mãe que perdeu o filho para a violência, ao brilho dos risos divertidamente exagerados; do figurino que reverencia a cultura popular maranhense ao carisma magnético de Ricardo. Em cena, ele dança, sorri e chora em uma performance que é, acima de tudo, resistência.

 

O espetáculo entrega mais que entretenimento: entrega um retrato fiel do talento, da dor e, sobretudo, do amor, não só de Ricardo, sua equipe e o Sesc, contribui para uma luta contra a homofobia, o preconceito, a intolerância com uma beleza artística que vai para além dos palcos e para no fim, celebrarmos juntos a liberdade que temos, a que é urgente e a que ainda conquistaremos como sociedade.



 Beto Ehong é artista, produtor, jornalista

@betoehong




 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

A mundiOca

amundiOca Produções

40.607.113/0001-74

RUA RUA SAO JANUARIO, No 5B, PANAQUATIRA, SÃO JOSÉ DE RIBAMAR MA , 65110000

devolução garantida, entrega imediata.

mundioca@outlook.com

  • alt.text.label.Instagram

©2023 por A mundiOca. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page