top of page
Buscar

São Luís déjà-vu

São Luís se mexe, mas não sai do lugar.

Tem agenda, tem evento, tem barulho. Mas a sensação é sempre a mesma: déjà-vu. Já vi esse nome, esse horário, esse palco, essa pista. Já vi esse discurso se repetindo como se fosse novidade.

Basta olhar a mídia. O looping é evidente. E isso num tempo em que produzir nunca foi tão possível. Equipamento acessível, tecnologia na mão, informação sobrando. Mesmo assim, a cena anda em círculos. Quanto mais fácil produzir, mais difícil ver algo que realmente desloque.

Porque todo mundo passou a jogar no modo sobrevivência.

Quando se tem pouco, o medo de perder esse pouco vira regra. Aposta segura vira virtude. Risco vira erro. E a cena começa a operar como quem anda em campo minado: passo curto, cuidado excessivo, nenhuma ousadia. Criar deixa de ser gesto e vira cálculo.

Só que sem risco não existe evolução. Sem risco não existe surpresa. Sem risco não existe vida.

Quando a arte começa a se adaptar demais ao que “funciona”, ela deixa de ser linguagem e vira mercadoria. Um produto embalado, empilhado, pronto pra consumo rápido. Cultura de prateleira: você pega, paga, vai embora. Amanhã tem outra igual.

Isso é muito atual. E muito triste.

O streaming só escancarou o que já estava acontecendo. Quando a arte para de surpreender, não é só a criatividade que morre, a cena inteira adoece. Ir a um show que realmente desloca começa a parecer exceção. Quase um ato fora da curva. E não é sobre elitismo ou falta de consciência social. É também, mas to falando sobre outra coisa.

É sobre sobrevivência.

Sobre nossos corpos ocupando espaço físico, social e psicológico. Uma cena previsível não alimenta ninguém. Uma cidade sem risco vira um lugar anestesiado. Tudo funciona, nada pulsa.

E antes de apontar o dedo pra fora, é preciso engolir uma verdade dura: você é a cena.

Você que repete, você que aceita, você que vai só no que já conhece, você que confunde conforto com pertencimento. A cena não está só no palco, ela está em quem sustenta o ciclo.

Então olha direito. Sem desculpa. Sem pose.

Não se perca de vista.

O caminho ainda existe, mas ele não é seguro, nem fácil, nem confortável. Ou a cena escolhe o risco, ou vai continuar fingindo movimento enquanto apodrece em repetição.

Essa é a encruzilhada.

 

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

A mundiOca

amundiOca Produções

40.607.113/0001-74

RUA RUA SAO JANUARIO, No 5B, PANAQUATIRA, SÃO JOSÉ DE RIBAMAR MA , 65110000

devolução garantida, entrega imediata.

mundioca@outlook.com

  • alt.text.label.Instagram

©2023 por A mundiOca. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page